Réveillon em Lagoa Santa

Já há algum tempo planejava visitar minha tia em Minas Gerais, ela sempre me cobrava, mas nunca dava certo.

Este fim de ano deu certo e consegui fazer a viagem para terra Mineira, foram dez horas de viagem, com algumas paradas e trânsito nos arredores de Belo Horizonte, e mais de 600 km percorridos para chegar numa cidadezinha chamada Lagoa Santa.

Capivaras em Lagoa Santa (Foto: Rafael Gaspar/Gasparov Images)

Como o nome já diz, a cidade está às margens de uma lagoa de aproximadamente 4,5km de orla, com cerca de 54 000 habitantes, parte deles sendo de oficiais da Aeronáutica.

Queima de Fogos em Lagoa Santa (Foto: Rafael Gaspar/Gasparov Images)

É uma pena que a estadia seja tão curta, chegamos na sexta e partiremos neste domingo, mas vamos voltar para casa com o prazer de ter passado o ano às margens da Lagoa e ter assistindo uma das melhores queima de fogos que já vi!

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Para você estar repassando….

Há alguns anos ganhei o Livro “As Cem Melhores Crônicas Brasileiras”, de Joaquim Ferreira dos Santos, cheguei a ler algumas crônicas, mas não dei a atenção devida a ele, aliás, é o que geralmente tenho feito com os livros que começo a ler, quando era mais novo não os lia porque preferia o computador com meus jogos de corrida, lia apenas alguns capítulos e logo o livro estava de volta à prateleira. Hoje não consigo ler porque tenho que encaixar o serviço, a faculdade, o blog, e outros afazeres que parecem brotar com o único objetivo de consumir tempo, não sei como ainda arrumo tempo para jogar uma ou outra corrida no F1 2011.

Essa semana fiz minha última prova do semestre na faculdade. Legal? Nem tanto, na minha empresa não temos férias coletivas e não temos certeza se vamos parar dia 30, então a correria continua. Mas a parte do tempo que normalmente seria consumida pelo trânsito e afazeres universitários está livre, e espero reanimar este blog que travou no lamentável incidende da Indy que causou a morte de Dan Wheldon, em outubro. Enfim, ao revirar o guarda roupa, achei o livro, dei uma folheada e achei a crônica de Ricardo Freire que intitula este post, trata daquilo que está na lista do que mais me irrita nos atendentes, o Gerundismo.

       “Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo.
        Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela internet.
O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.
        Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.
        Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.
        Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito.
        Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho.       

        Sinceramente: nossa paciência está ficando a ponto de estar estourando. O próximo “Eu vou estar transferindo a sua ligação” que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.
        As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.
        Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We’ll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.
        Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.
        A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo.
        A primeira pessoa que inventou de estar falando “Eu vou tá pensando no seu caso” sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade linguística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas.
       Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como “O que cê vai tá fazendo domingo?” ou “Quando que cê vai tá viajando pra praia?”, ou “Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa”.
        Deus, o que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?
        A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma idéia” e outros menos votados.
        A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?”
Ricardo Freire

Este post tem o único intuito de estar me reanimando para estar recomeçando a escrever novamente, pois estar escrevendo é uma das coisas que podem estar nos gratificando muito.